Mundo do Trabalho

Jovens são preparados para o mundo do trabalho

A capacitação inicial em uma profissão amplia a esperança em um futuro melhor

O ProJovem Urbano contribui para a geração de emprego e renda no município
O ProJovem Urbano contribui para a geração de emprego e renda no município

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que os profissionais com mais escolaridade ocupam a maior parte das vagas no mercado de trabalho. Com base em dados coletados em 2007 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) concluise que os trabalhadores com mais de 11 anos de estudo se apropriaram de pelo menos 67 mil vagas antes destinadas a pessoas com menos formação. O levantamento foi divulgado em 2008.

Em junho de 2009, a maior parte da população ocupada (12,2 milhões) tinha pelo menos 11 anos de estudo. Aproximadamente 3,7 milhões de trabalhadores estudaram entre oito e 10 anos; um pouco mais de 4 milhões freqüentaram a sala de aula entre quatro e sete anos; e 866 mil de um a três anos.

Essas informações integram a Pesquisa Mensal de Emprego (PME/IBGE) e mostram que os empregadores buscam profissionais mais preparados e com conhecimento sólido.

O relatório Trabalho Decente e Juventude, lançado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em julho de 2009, mostra que uma parcela significativa da juventude brasileira apresenta grandes dificuldades para conseguir uma boa colocação no mercado. Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o documento analisou a situação desse público entre 1992 e 2006 e chegou à conclusão de que a taxa de desemprego entre os jovens é 3,2 vezes maior que a dos adultos.

Para a diretora do Escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo, os avanços na agenda de emprego para a juventude são importantes, mas ainda há muitos desafios a ser superados. “Há uma espécie de ciclo vicioso: o jovem não entra no mercado de trabalho porque não tem experiência, mas para ter experiência ele precisa estar dentro do mercado. Medidas de aprendizagem, por exemplo, são muito importantes para romper essa barreira”, diz ela.

A conclusão do relatório aponta que o crescimento econômico e o investimento na escolarização e na qualificação são fatores essenciais para superar o desemprego entre jovens. Além disso, a pesquisa reforça a necessidade de políticas que integrem formação escolar, capacitação profissional e criação de oportunidades, que é exatamente a proposta do Projovem Urbano.

Além disso, a pesquisa reforça a necessidade de políticas que integrem formação escolar, capacitação profissional e criação de oportunidades, que é exatamente a proposta do Projovem Urbano.

Caso de sucesso

Desde que foi criado, em 2005, ainda como Projovem Original, o Programa já ajudou muitos alunos e ex-alunos a conseguir um emprego. É o caso de Elizângela Maria da Silva, 26 anos, de Recife (PE). A jovem concluiu o programa em 2007, mas antes de deixar o curso foi indicada pelos professores para estagiar no setor de Administração do Estádio de Esportes Geraldão. “Vários alunos participaram da seleção. No final, eu e mais uma colega fomos selecionadas para o estágio. Fiquei super feliz com essa conquis indeta, principalmente porque antes do ProJovem cheguei a perder bons empregos por não ter o ensino fundamental completo”, conta a pernambucana. Mas os seus planos não param aqui. Agora ela sonha ir para a universidade e se formar em Medicina. “O programa me estimulou a voltar a estudar, graças ao apoio dos professores, que são verdadeiros pais”, agradece a ex-aluna.

Na opinião de Márcio Sherlo, que é coordenador de Políticas de Juventude em Belém (PA), o ProJovem Urbano contribui para a geração de emprego e renda no município. “O programa fomenta a economia por meio da contratação da mão de obra local e dos recursos da bolsa, que impacta diretamente na renda da comunidade onde esses jovens vivem.”

Na capital paraense os estudantes podem se profissionalizar em Administração, Construção e Reparo, Telemática e Alimentação. O programa também está vinculado a outras políticas públicas, o que facilita ainda mais o acesso dos jovens ao mercado de trabalho.

 

Independência e cidadania

A secretária de Assistência Social de Campo Grande (MS), Ilza Mateus, afirma que os Arcos Profissionais, a formação básica e a participação comunitária criam jovens inde pendentes. “Os jovens do Arco de Móveis e Madeiras começam a trabalhar no ramo ainda durante o curso. Fazem pequenas peças e restaurações. Portanto, basta que os governantes deem uma oportunidade para que eles façam a diferença e se tornem independentes financeiramente.”

Na cidade de Curitiba (PR), os alunos do Projovem Urbano também conquistam seu espaço no mercado de trabalho. A coordenadora executiva do Programa, Luciane Vanessa Fagundes, conta que já encontrou vários deles trabalhando no comércio local. “Outro dia encontrei uma exaluna nossa trabalhando em um banco como segurança. Fiquei tão feliz e orgulhosa de vê-la crescendo profissionalmente que quebrei o protocolo e fui abraçá-la”, diz.

Para Laís Abramo, há uma espécie de ciclo vicioso: o jovem não entra no mercado de trabalho porque não tem experiência, mas para ter experiência ele precisa estar dentro do mercado.
Para Laís Abramo, há uma espécie de ciclo vicioso: o jovem não entra no mercado de trabalho porque não tem experiência, mas para ter experiência ele precisa estar dentro do mercado.

Já Márcia Lucena, coordenadora pedagógica do Projovem Urbano em João Pessoa (PB), lembra que “a preocupação do ProJovem Urbano não está no emprego imediato, mas em preparar melhor o jovem para o mundo do trabalho”. Segundo Márcia, os Arcos Profissionais na capital paraibana estão bem antenados com a economia local e possuem grande oferta de emprego. “Oferecemos os Arcos de Turismo e de Alimentação, pois estamos desenvolvendo o turismo ecológico em João Pessoa, o que abre portas também para a gastronomia. Temos qualificação em vestuário justamente para atender a um novo nicho de mercado: a roupa customizada. E para os alunos do Arco de Construção e Reparos há várias oportunidades de emprego na construção civil.”

 

O resultado na prática

O aluno Edvaldo Alves, do Rio de Janeiro (RJ), destaca a importância do estudo para quem busca uma boa colocação: “você sem estudo está encaixotado. Ninguém te aceita em emprego nenhum porque você não tem formação de nada. Estudando, as portas vão se abrindo.” Robert Ferreira da Silva, ex-aluno do ProJovem em Belo Horizonte, aproveitou a oportunidade do programa para realizar o sonho de abrir o próprio negócio. Ele conta que a professora de Qualificação Profissional Iris da Silva estimulou os alunos a pensar o que seria possível fazer com os R$ 100 da bolsa auxílio. Ele já tinha um curso para fabricação de peças íntimas, doado pela professora, e trabalhou como monitor no arco Vestuário. Daí para montar seu negócio, foi uma questão de força de vontade, o que Robert tem de sobra. Agora, ele trabalha com produção e venda de peças íntimas femininas, com marca própria, vendida na capital mineira. “O Projovem Original mudou minha vida. Eu trabalhava como transformista, fazendo shows em boites. Meu futuro era obscuro. Esta angústia foi o que mais me motivou a fazer minha matrícula e depois, estudar, aprender uma profissão”, afirma.

 

 

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